domingo, 19 de dezembro de 2010

Meus preconceitos

preconceito 
(pre- + conceito)

s. m.
1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.
2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos!. = intolerância
3. Estado de abusão, de cegueira moral.
4. Superstição.

Certa vez comecei pensar sobre preconceitos, encontrei numa revista de filosofia algumas coisas sobre o assunto e inclusive abordava a ideia de preconceito bom e preconceito ruim. Sabemos que preconceitos ruins são os raciais, sexuais, os que provém da falta de informação sobre transmissão de doenças, aquele preconceito que se limita a dizer o que a pessoa é pela imagem dela. 
Porém temos o preconceito bom, pelo que entendi é aquela aversão que temos em relação a algo com uma imagem muito diferente do comum. Pode-se dizer que é como ver algum bicho muito diferente e teme-lo sem saber o que é, se é manso ou não. As vezes é melhor evitar, é o preconceito que nos salva a vida. Do mesmo jeito quando encontramos com alguém aparentemente muito doente, ficamos longe e temos receio de chegar perto,  de respirar próximo se a pessoa está espirrando muito.
É comum escutarmos alguém dizer "Não tenho preconceitos". Será que existe pessoa sem preconceitos? Tenho minhas dúvidas, aliás, acho que isso é até um modo de se perfazer. É comum formarmos conceitos e opiniões antecipadas, por exemplo, alguma pessoa que vai apresentar uma palestra, se ela está num dia ruim, tímida e com algum problema pessoal que interfere na sua apresentação, nosso preconceito grita dizendo que essa pessoa não entende muito bem o assunto. Formamos conceitos em poucos minutos após alguém se apresentar, se uma pessoa tem 20 anos de idade, qual a probabilidade de criarmos uma outra pessoa com a carapaça dela nos primeiros 4 minutos de conversa? Pense nisso! 
Agora vamos pensar se é ruim aquele preconceito que temos quanto ao modo de algumas pessoas se vestirem, vou revelar uns dos meus preconceitos, as vezes começo a assistir tv por vários dias seguidos e nos programas policiais, vejo sempre o estilo que os bandidos se vestem, as vezes com camiseta de determinado time, qual seria minha reação ao ver alguém com características semelhantes? É essa mesma que você pensou. 
E quando alguém se veste usando uma camiseta com a folha da Cannabis sativa, você pensa que ela estuda botânica ou...? As vezes não se limita em camisetas ou deixa de usar a camiseta, mas a pessoa é um sósia de algum outro que tem mais fumaça do que O2 nos pulmões, não parando por aí, tenta se parecer o máximo possível.  Acho que aí deixa de ser preconceito e se torna conceito, e por isso que não me incomodo tanto quando algumas pessoas tem preconceito pelo meu estilo, muitas pessoas que usam alguns piercings pensam que piercing é um sinônimo de rebeldia, vandalismo e irresponsabilidade e por isso tentam se parecer com alguém mais rebelde do que é. Então quando algum "tiozinho ou tia" carrancudos (como dizem que eu também sou) me veem, logo dizem "olha lá o touro", "o sem emprego", "o nóia". Não perco nada com as pessoas preconceituosas, aliás, a distância deles é uma coisa boa para mim. 
As vezes nossos preconceitos só nos prejudicam, eu pensava que pessoas frequentadoras de igreja teriam uma certa moral no nível da minha, assim conheci uma evangélica, que frequenta todos os finais de semana a igreja, tivemos um imenso rolo, o maior que tive até hoje. Enfim, ela foi uma das pessoas responsáveis por me mostrar que não devemos vincular religião a lealdade, fidelidade, moralidade. 
A pior história foi também tão recente quanto a que citei acima, em 2009 um ex-inimigo, na época colega e atualmente um conhecido, começou a me chamar pra ir numa igreja que ele frequentava, sempre achei que para ser uma boa pessoa não preciso seguir religião, afinal de contas as religiões nos diferenciam demais a ponto de criar conflitos; por isso digo que sou religioso em vez de ter uma religião. Enfim, ele saiu da igreja protestante e meses atrás foi preso por roubar uma igreja católica. Claro que é um fato raro, mas vinculo isso ao preconceito que temos. De pensar que alguém que é da igreja é uma boa pessoa, quem usa terno e grava é inteligente...
Por conta de coisas assim, provavelmente não me decepcionaria se procurasse uma namorada num cabaré e um colega numa cadeia, não seria fácil ter preconceitos, já ia logo desconfiar que ele foi preso por que roubou ou matou e ela é uma vadia. 
Não deixando de lado o risco de que ele tenha sido preso por engano e ela se converta! rsrsrs

Na minha opinião, não devemos largar nossos preconceitos, eles só não podem prejudicar ninguém, devemos ter os nossos preconceitos, sabermos controlá-los e repensá-los. Conversarmos até com pessoas do fenótipo que temos preconceito e usar nossas conversas sempre pra repensar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário